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Romanos: Paulo explicou tudo antes de chegar

Paulo havia visitado Corinto, Éfeso, Galácia, Filipos. Havia escrito cartas de urgência para igrejas que havia fundado, de afeto para igrejas que amava.

A mais longa e mais sistemática de todas as suas cartas foi para uma cidade que ele nunca havia pisado.

Roma e uma igreja que Paulo não havia fundado

Roma era a capital do Império — a maior cidade do mundo antigo, com cerca de um milhão de habitantes. Rotas de todo o Mediterrâneo convergiam para lá. Quem controlava Roma, controlava o mundo conhecido.

A Igreja de Roma não havia sido fundada por Paulo — nem por nenhum apóstolo com registro claro. Provavelmente nasceu de peregrinos judeus que estavam em Jerusalém no Pentecostes, converteram-se com o sermão de Pedro, e voltaram para casa com a fé em Cristo (Atos 2:10 menciona "visitantes de Roma"). Em 49 d.C., o imperador Cláudio expulsou os judeus da cidade — incluindo cristãos como Áquila e Priscila, que foram parar em Corinto e conheceram Paulo. Quando Cláudio morreu, em 54 d.C., e os judeus puderam voltar, encontraram uma Igreja que havia se tornado majoritariamente gentílica em sua ausência. Havia tensão. Paulo soube de tudo isso.

E precisava escrever antes de chegar.

Por que a carta mais longa foi para quem não o conhecia

Paulo tinha inimigos em todo lugar que distorciam o que ele ensinava. Em Roma, ele não podia se dar ao luxo de ser mal interpretado. Planejava passar pela cidade a caminho da Espanha (Romanos 15:24) e precisava da Igreja romana como base de apoio para essa missão. Antes de pedir qualquer coisa, precisava se apresentar.

Romanos é, em essência, a teologia completa de Paulo — organizada, sem urgência, sem crise imediata. Ao contrário de Gálatas, não havia um incêndio para apagar. Havia uma audiência importante a conquistar.

A carta começa com a tese que organiza tudo: "Não me envergonho do evangelho, porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê." (Romanos 1:16) E então Paulo desenvolve cada parte dessa afirmação — o que é o evangelho, por que todos precisam dele, como ele funciona, o que produz.

O capítulo 3 estabelece o problema: "Todos pecaram e carecem da glória de Deus." (3:23) O capítulo 5 apresenta a resposta: "Deus demonstra o seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores." (5:8) O capítulo 8 — talvez o mais amado de toda a Bíblia — responde à pergunta sobre o que isso significa na prática: "Nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (8:39)

Os capítulos 9 a 11 enfrentam a questão espinhosa sobre Israel. Os capítulos 12 a 15 tratam da vida prática: "Não vos conformeis com este século." (12:2)

Paulo não estava respondendo a uma crise. Estava apresentando um argumento completo.

O que Romanos fez depois

Nenhuma outra carta de Paulo deixou uma marca tão direta na história ocidental.

Agostinho, em 386 d.C., descreveu sua conversão final como um momento em que abriu Romanos e leu um parágrafo do capítulo 13. Lutero estava comentando Romanos em 1515 quando as ideias que disparariam a Reforma Protestante começaram a tomar forma. John Wesley, em 1738, descreveu seu coração como "estranhamente aquecido" enquanto ouvia uma leitura do comentário de Lutero sobre Romanos. Karl Barth publicou seu Comentário à Carta aos Romanos em 1919, inaugurando um novo movimento na teologia protestante.

Quatro momentos de ruptura na história cristã. Todos passaram pela mesma carta — escrita para uma cidade que Paulo nunca havia visto, para uma igreja que não era dele, a caminho de uma visita que só aconteceu anos depois, quando ele chegou como prisioneiro.

A carta havia chegado antes.


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